Logo que acorda, lá vem ela... faminta, preparar seu desjejum...
Todo dia faz tudo igual, eu sofro muito com a quentura de uma das minhas bocas.
Digo para ela para ir devagar, me acender no fogo baixo... ela, às vezes, põe assim, mas, em outras, põe no forte para fazer logo seu café e ver a fumaça fumegando que adora e lhe desperta.
Tem dias que me abandona por completo.
Eu lhe digo:
- Ei, não vai me acender?
Ela nem me responde, pega a cafeteira e me deixa esquecido. Entendo que sou apenas um velho fogão, ela prefere sua cafeteira mais nova que seu filho lhe deu.
Olha para mim e ainda tem a coragem de falar-me olhando de soslaio:
- Vou fazer um café quentinho na minha nova máquina que é muito mais rápido.
Fico tão triste que a xícara me olha e se compadece me dizendo:
- Não fique triste, fogão, eu também sou trocada todo dia, ela escolhe a que lhe dá vontade, me deixa de escanteio... uma vez ou outra me pega para saborear seu café.
O pires, por sua vez, fica indignado, contesta imediatamente:
- Eu não sou usado sempre, quando tem pressa, ela pega só a xícara na mão me deixando no vácuo. Sou usado quando bem entende.
O cesto do pão, todo vaidoso por ser bonito, mas triste por não ser quase usado, vai logo se posicionando:
- Vocês reclamam de barriga cheia, eu só sou usado uma vez por semana, ela prefere tapioca com queijo... uma barbaridade como me rejeita.
Bem, vamos nos juntar e fazer uma rebelião aqui na cozinha? Quando ela acordar amanhã, vamos cair no chão e nos quebrar ou não funcionar, assim ela vai ver só como é bom sermos usados ao bel prazer.



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